EXÉRCITO CRIOU MANUAL DE ORIENTAÇÃO PARA VICIADOS EM APOSTAS DE JOGOS DE AZAR. VEJA ARQUIVO.
Marília (SP) — Em uma decisão que gerou revolta e perplexidade, a Câmara Municipal aprovou a concessão da Loteria de Marília, proposta pelo governo municipal, sob o pretexto de arrecadar recursos para saúde e educação. Mas por trás da promessa de retorno social, especialistas e moradores enxergam um risco grave: o incentivo ao vício em apostas e o aniquilamento financeiro de famílias carentes.
O que deveria ser política pública virou aposta — literalmente. E o que mais choca é que três vereadores com carreira na segurança pública votaram a favor da medida. Em um país onde loterias e jogos de azar têm sido associados a lavagem de dinheiro, CPIs, prisões e condenações, a decisão soa como um contrassenso.
Cinco vereadores se manifestaram contra a proposta. Luiz Nardi (Cidadania), Júnior Féfin (União), Guilherme Burcão (DC), Vânia Ramos (Progressistas) e Marcos Custódio (PSDB).
A loteria, que será operada por empresa privada mediante concessão, promete destinar parte da arrecadação para áreas prioritárias. Mas críticos apontam que o modelo já se mostrou nocivo em outras cidades, onde o jogo virou armadilha para os mais vulneráveis. “É uma cilada disfarçada de solução”, destacam especialistas.
A cidade, que já enfrenta desafios sociais profundos, agora vê o risco de normalizar o jogo como política pública. Em vez de combater o vício, institucionaliza-se a roleta da esperança — onde quem mais perde é quem menos pode.
Que tristes dias vivemos em Marília. Quando o jogo vira política, quem aposta é o povo — e quase sempre perde.


